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domingo, 28 de fevereiro de 2016

BEBENDO VÁRIOS "VINHOS E VENDETTAS"

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CAPÍTULO 01: MAIS DO MESMO.

O dia começou mal para Sandrine, depois de ter sido mal comida pelo seu namorado na noite anterior, e ela já era obrigada a ouvir os berros do pai por toda a casa. Seria normal para ela, se isso não se repetisse sempre, desde que ela se entendia por gente. E a vítima desse megafone ambulante era ninguém mais, ninguém menos do que sua mãe Adriane: uma mulher madura, de corpo magro, cabelos pretos e lisos, olhos negros, pele branca e curvas no lugar. Ela era esposa de um rico empresário do ramo de estofados. Mas apesar da boa vida que levava junto com sua filha, o marido era um pão-duro profissional: além de conseguir fazê-la largar o emprego de estilista, transformou-a numa dona-de-casa subserviente, dando-lhe apenas o suficiente para que ela gastasse com as despesas da casa e da filha. E sempre que ela pedia algum, mais do que o necessário, era aquele falatório:

- Dinheiro... Dinheiro! Você só pensa em gastar meu dinheiro Adriane! Já não basta os gastos com a casa e com a Sandrine, agora quer que eu gaste também com você? Você tem tudo o que precisa, bem aqui!

- Deixe de falar alto Charles! Não quero que a menina escute. Além do mais, estou precisando comprar alguns cosméticos para mim. O que você deixa em casa é contado e mal dá para as despesas de Sandrine.

- Eu não vou dar mais nada do que eu já dou a vocês! E se quiser ter vida de luxo, se vire, mas sem descuidar da casa!

Sandrine ouvia tudo da parede do quarto em que dormia e ficava bastante irritada com a situação de sua mãe, que fazia das tripas coração, para dar o mínimo de conforto à filha, dentro daquela enorme casa, que mal uma diarista tinha.
Quando o pai saía para ir trabalhar, Adriene ia para um quarto nos fundos da casa, que o marido, com toda a sua extravagância não ia, por ser um quarto onde se colocavam os móveis mais velhos da casa. Ela vendeu os móveis usados e com o dinheiro, sem que o marido soubesse, montou um ateliê. Lá ela criava vários modelos de roupas variadas e vendia-os pela internet. E era com esse dinheiro que ajudava a filha a se permitir ter alguns luxos, para pelo menos ostentar para a mídia, os vizinhos e a sociedade em geral, que era esposa de um mega empresário.
Sandrine não agüentava mais ver sua mãe naquela situação sofrida, e falava sempre para ela que a apoiava, caso Adriane resolvesse se separar. Mas Adriane se recusava e até mesmo desconversava, quando a filha vinha até ela com essas histórias de separação e divórcio.

- Deixe de pensar essas besteiras Sandrine – dizia sua mãe tentando contornar as discussões que tinha na frente dela com o marido – logo, logo seu pai se acalma e tudo volta ao normal.

Um dia, enquanto passeava pelo shopping com algumas amigas da Universidade onde estudava, flagrou o pai dentro de uma joalheria, presenteando duas mulheres com jóias das mais caras. Ela não foi vista, nem sequer notada. Mas aquela cena fez com que ela estourasse de raiva e ódio pelo pai, pois enquanto a mãe se matava de trabalhar para criar roupas e vendê-las escondido dele, para aumentar um pouco mais o dinheiro que ele dava, ele esbanjava com outras. E não suportando mais aquilo, Sandrine se despediu das amigas e foi embora para casa.
No caminho de volta, ela veio praguejando contra o pai, pensando mil coisas absurdas e no quanto ele enganara as duas durante todos esses anos, posando de pai exemplar e de marido fiel. Sua mente ficava maquinando há quantos anos o pai tinha aquelas duas amantes que certamente se conheciam e se aceitavam, pois se estavam juntas sendo presenteadas por ele, sem uma discutir com a outra, certamente se conheciam a algum tempo. Quando chegou a seu luxuoso quartel, onde o pai era o general e ela e sua mãe eram as recrutas zeros, ela ouve o pai discutindo mais uma vez:

- Eu não vou te dar mais dinheiro Adriane! O que te dou por semana é para passar a semana: se vire pro dinheiro render!

- É até engraçado essa sua vida, Charles. O maior empresário do ramo de estofados do Estado ser o mais pão duro de toda a região. – disse Adriane num tom de ironia - E esse dinheiro é para pagar os livros da universidade onde Sandrine estuda. Livros do terceiro grau são caros, Sabia?

- Se ela quiser ser alguém na vida, que vá trabalhar! – Esbravejou Charles – Eu já dou o suficiente para as duas. E quer saber? Não vou comer essa comida de hospital que você faz, não: vou jantar fora!

Um pouco sentida com as duras palavras de seu marido, Adriane se segura para não chorar, engole seco mais aquela humilhação que está tendo que passar na frente da própria filha, respira fundo, deixa a raiva sair e fala:

- Você só fala isso e só tem essas atitudes porque eu sou uma mulher boa e fiel. Se eu fosse uma dessas vadias que você arruma e vivesse te enchendo de chifres, você não faria isso comigo e muito menos com sua filha!

Charles para, olha para trás, volta-se para Adriane e fala:

- Você, me colocando chifres? Ah! Ah! Ah! Ah! Se olhe no espelho e se enxergue Adriane: você já está com quase cinqüenta anos e quase não sai mais de casa. Não ia e não vai arrumar um amante nunca!

Cansado de discutir com a esposa, Charles sai de casa batendo a porta. Adriane começa a chorar em silêncio. Mas quando percebe a presença de Sandrine dentro de casa, tenta disfarçar sua tristeza, para que sua filha não perceba seu silencioso pranto.

- Já chegou Sandrine? Nem vi você entrar. Vá tomar banho e se trocar, pois daqui a pouco a janta já vai ficar pronta.

- Não adianta tentar me enganar mãe: eu vi tudo.
Ruborizada com as palavras da filha, Adriane fica sem saber o que falar e tenta disfarçar ainda mais:

- Estávamos discutindo sobre a nova decoração da sala. Só isso.
Enfurecida com o que tinha visto pela tarde no shopping e pelo que acabou de presenciar dentro de casa, Sandrine aponta o dedo para a mãe e esbraveja:

- Pare aí mesmo, dona Adriane! Desde que eu me conheço por gente, que esse cachorro que se diz meu pai, fica te humilhando! E eu já não agüento mais ver a senhora se rebaixando dessa maneira. Ele só faz isso côa senhora, porque a senhora é uma mulher honesta e fiel. Se a senhora fosse outra, ele te trataria melhor!

- Deixe seu pai pra lá, menina. Se preocupe com sua faculdade, que é bem melhor.

Ainda com raiva por ter visto o pai, que dentro de casa era o maior pão duro, dentro do shopping esbanjando dinheiro com duas vagabundas, e mais raiva ainda por ter uma mão tão lerda e subserviente ao calhorda que ela chama de marido, Sandrine toma banho, janta e vai para o quarto, tentar estudar. Só que sua mente começa a pensar na única coisa que poderia fazê-la se redimir com sua mãe e colocar o pai no seu devido lugar: vingança. Essa vontade só crescia em seu coração, principalmente quando se lembrava da imagem do pai, presenteando duas mulheres que ela nem conhecia e nunca viu na vida, com jóias caríssimas, sendo que para ela e para a mãe, o pai só presenteava com semijóias e bijuterias. Mas não tinha de ser uma vingança qualquer, pois se ela contasse para a mãe, era a palavra do pai contra a dela e a mãe poderia se voltar contra ela, continuando com sua eterna subserviência ou pior: se tornando escrava de um crápula. Por isso que essa vingança tinha que ser de um modo que levantasse a auto-estima da mãe e humilhasse seu pai.
Essa idéia fez parte de sua vida durante toda a semana, até que numa terça-feira ensolarada de outono, uma luz que saiu do pôr-do-sol e veio até ela em formato de idéia, clareou sua mente. Sandrine se lembrou das últimas palavras do pai, e essa foi a dica que ela tanto buscava para dar o troco no pão-duro dono da maior rede de lojas de estofados de todo o estado: um amante. Sim, ela tinha que arrumar um amante para a mãe. Mas não somente isso: ela tinha que colocar chifre no marido, dentro da casa deles, em qualquer cômodo (ou em todos os cômodos), mas tinha que se encontrar com freqüência, embaixo do mesmo teto em “que aquele mão-de-vaca dormia”.
E já tendo o objetivo, agora vinha a dúvida: quem seria esse amante? Pensou em um cara mais ou menos da idade de sua mãe, mas desistiu. Pois um coroa indo todos os dias em sua casa levantaria muitas suspeitas. Foi aí que ela resolveu acessar suas redes sociais em busca de alguma luz para suas dúvidas. E eis que conversando com os amigos, um mais pervertido, recomendou que ela fosse a um site de vídeos pornográficos, digitasse o tema e procurasse o que queria.
Depois de ter xingado esse amigo usando seu vocabulário de palavrões, Sandrine curiosa, entra num desses sites de vídeos pornôs, digita o tema “coroa traindo” e dá um clique. Quando o site terminou de fazer a busca, a surpresa: a maioria dos vídeos mostrava mulheres de quarenta, cinqüenta e até sessenta anos, tendo relações sexuais com homens bem mais novos que elas. Alguns com idade de serem até mesmo, seus filhos. Sandrine ficou abismada com aquilo tudo, mas enfim sua ficha caiu e ela começou a falar sozinha dentro do quarto:

- Putz! Como não pensei isso! Se for pra arrumar um amante pra minha mãe, que freqüente a nossa casa sem ser notado, tem que ser um cara da minha idade, ou um pouco mais velho que eu. Uau! Isso vai ser demais! Se prepare dona Adriane, pois vou dar o troco naquele sovina filho de uma égua, que infelizmente eu tenho que chamar de pai!

Agora sabendo a vingança, o tipo e como se vingar, Sandrine começou a se perguntar mais uma vez: quem seria esse amante? Quem toparia se relacionar com uma mulher mais amadurecida, de quase cinqüenta anos, a pedido dela? Nenhum de seus amigos e colegas da faculdade faria isso pra ela, pois muitos já se disseram avessos á mulheres mais velhas. Seu namorado nem se fala! Ele era filho mimado e fofoqueiro de um amigo do pai, e poderia muito bem sair por aí batendo com a língua nos dentes e essa história chegar aos ouvidos de Charles. E nenhuma de suas amigas a ajudaria a encontrar alguém para ser amante de sua mãe, sem bater com a língua nos dentes. Ela estava encurralada dentro de um labirinto de ratos, com o crime perfeito nas mãos, todo arquitetado e pronto para ser posto em prática. Mas para esse crime perfeito acontecer, ela precisava de seu principal componente: o suspeito.

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